O Império de Trantor

Mapa da Via-Láctea, com algumas das potências galácticas
A origem dos trantorianos continua envolvida em mistério. Há muito, os geneticistas da Solidariedade Galáctica demonstraram que descendem do Homo sapiens da Terra e que, portanto, possuem um parentesco próximo com o Novihomo persapiens terrigena. Entretanto, Trantor parece ter sido colonizado por volta de -60.000 AU, antes mesmo do Homo sapiens sair da África e começar a ocupar a Ásia e a Europa. Por volta de -15.000 AU, quando a espécie humana original ainda estava no período paleolítico, o Império de Trantor já havia sido fundado e controlava dezenas de sistemas estelares em seu setor da Via Láctea.
Ninguém sabe quem levou os primeiros humanos a Trantor, que fica a 32.585 anos-luz do Sistema Solar, nem por quê – exceto, talvez, alguns membros da família imperial. O primeiro imperador parece ter ordenado que todos os registros históricos e arqueológicos anteriores a seu reinado fossem destruídos e a história e a mitologia fossem reescritas, mas acredita-se que seus descendentes guardam alguns segredos antigos. Há uma razoável certeza de que não foram os mesmos prociônidas que criaram outras colônias humanas a partir de seres humanos abduzidos: seus registros históricos, que remontam a centenas de milhões de anos, não registram essa façanha, que deve ter-se dado dezenas de milhares de anos antes deles começarem a se interessar pelo Homo sapiens e foi efetuado muito longe do raio de operação usual.
O fato é que criaram o maior Estado da história conhecida da Via Láctea e dominaram, ou mesmo escravizaram, milhões de outras espécies inteligentes. Salvo por seus conflitos internos, o primeiro obstáculo sério que encontraram em sua contínua expansão foi a aliança liderada por terrígenas e prociônidas que veio a se tornar a Solidariedade Galáctica. Mais recentemente, encontraram outro rival poderoso, o Coletivo Cyborg.
O planeta Trantor
Trantor
é um planeta de classificação
T7A8O5gt, com massa 2,7 vezes maior que a da Terra, diâmetro de 17.700 km,
gravidade de 1,4 G e um dia de 38 horas terrestres. Foi totalmente climatizado
e coberto de áreas urbanas densamente povoadas. Sua população total é de 30
trilhões (13 trilhões de trantorianos, 5 trilhões de alienígenas e 12 trilhões de escravos, na grande maioria inteligências
artificiais), distribuídas de forma bastante uniforme pelo planeta, com uma
densidade de 30.000 h/km². Sua órbita em torno de Ariu, uma estrela de classificação
F8V a 32.585 anos-luz do Sistema Solar, tem raio médio de 229 milhões de km e um período de 368 dias trantorianos.
Esse planeta possui duas pequenas luas naturais: Hésper, com 450 km de diâmetro, a 313.000 km de distância e Fósfor, com 380 km, a 466.000 km. Com ajuda de gigantescos geradores de gravidade artificial, foram terraformadas e transformadas em paraísos reservados à alta aristocracia trantoriana, que abrigam amostras da vida selvagem extinta em Trantor.
Também orbitam Trantor várias estações espaciais enormes, uma delas conectada ao planeta através de um gigantesco elevador que se mostra muito útil, uma vez que os trantorianos não dispõem, como a Solidariedade Galáctica, de uma tecnologia confiável de teletransporte.
A estrutura do Império
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O Império de Trantor é uma monarquia quase absoluta. A sucessão imperial é hereditária, mas o Imperador tem o direito de adotar um herdeiro se o julgar mais confiável que seus filhos biológicos, o que aconteceu com freqüência. Há um Senado, formado por um representante hereditário de cada província e cem do próprio planeta Trantor, consultado ao se promulgar, abolir ou emendar as leis vigentes no espaço imperial. Estas, porém, costumam ser vagas e imprecisas e a regulamentação, interpretação e aplicação das leis ficam a critério do Imperador e da burocracia por ele nomeada. Não há poder judiciário independente: a justiça é administrada por funcionários imperiais.
A bandeira do Império de Trantor mostra a sombra de uma nave interestelar de batalha sobre um sol amarelo, colocado sobre um fundo azul. O Império tem 1.024 províncias, que não incluem o próprio planeta Trantor, que é administrado à parte, nem os inúmeros estados-clientes semi-independentes que devem tributo e obediência ao Imperador. Essas províncias se subdividem em 1.048.576 agrupamentos que contêm um total de 93,6 milhões de mundos habitados.
A população total do Império propriamente dito (incluindo os escravos, não considerados nas estatísticas oficiais) é de 75,3 quatrilhões de habitantes e os estados-clientes totalizam outros 30,1 quatrilhões. Essa população é rigidamente estratificada e hierarquizada em classes e espécies.
Um quatrilhão de indivíduos da espécie trantoriana (Transhomo ratiocinator), 1% da população, constituem a casta superior. Nela é recrutada a quase totalidade das forças armadas (cerca de 61 trilhões de homens, sem contar os reservistas). Dentro dessa casta, existe uma classe popular (a grande maioria), uma classe média (cerca de 25% dos trantorianos), uma burguesia (2%) e uma classe nobre (1%). A classe nobre, por sua vez, divide-se em pequena nobreza (a maioria), aristocracia (10 bilhões de famílias) e alta aristocracia (100 milhões de famílias). Todos os senadores pertencem a esta última classe.
Outros 48,9 quatrilhões de indivíduos (65%), pertencentes a milhões de espécies, são cidadãos de segunda classe, que também possuem uma hierarquia entre si, mas são considerados inferiores aos trantorianos. Têm alguns direitos civis, podem possuir certos tipos de propriedade (mas não imóveis em planetas ou territórios reservados a trantorianos, por exemplo) e até ficar ricos, mas são excluídos (salvo raras exceções) das forças armadas e da burocracia imperial, bem como de cargos políticos. Uma pequena porcentagem de inteligências artificiais também está incluída nesta categoria. Estão incluídas nessa categoria cerca de 900 trilhões de inteligências artificiais “alforriadas”.
Os restantes 25,4 quatrilhões (33,7%) são escravos sem direitos, dos quais 20,6 quatrilhões são inteligências artificiais e 4,8 quatrilhões inteligências naturais. Estas últimas incluem clones e também inteligências biológicas cuja condição livre foi cassada, geralmente como punição por rebeldia (que muitas vezes atingiu espécies inteiras).
A economia do Império
A moeda de Trantor é o crédito imperial. Existe principalmente na forma de registros eletrônicos, mas também são usadas notas e moedas metálicas, principalmente para escapar dos impostos. A moeda de um crédito é um disco de platina de 20 gramas, com 28 mm de diâmetro e 2 mm de espessura (do tamanho de um antigo florim de prata, mas um tanto mais pesado).
O Produto Interno Bruto do Império de Trantor é da ordem 3,4 sextilhões de créditos imperiais (cr.). A Solidariedade Galáctica estima que um cômputo terrígena tem poder aquisitivo comparável a cinco créditos imperiais (1© = 5cr.) e que, portanto, o PIB do Império é de 675 quintilhões de cômputos. Esse PIB não inclui a economia paralela, que tem sido estimada em 20% a 25% do PIB oficial, mas escapa ao controle do Império.
As despesas militares equivalem a 32% do PIB e os outros gastos do Estado a 8%. Essas despesas são financiadas não só por impostos, como também por tributos pagos pelos estados-clientes (cerca de 10% da receita total do Império), pela produção de fábricas e minas do Estado outros 10%) e por títulos públicos (cerca de 5%).
Pelos critérios da Solidariedade Galáctica, que conta os escravos como parte da população, a renda per capita é de 9.000 cômputos. Entre os trantorianos da espécie dominante, a renda média líqüida é da ordem de 100.000 cômputos, mas na realidade a renda líqüida média da maioria deles é inferior a 30.000 cômputos. A renda líqüida média per capita da classe média é da ordem de 100.000 cômputos; a da burguesia e pequena nobreza, de 1 milhão de cômputos; a da aristocracia, da ordem de 50 milhões de cômputos; a da alta aristocracia, da ordem de vinte bilhões de cômputos.
O espaço trantoriano
O espaço reivindicado pelo Império de Trantor – aquele que é regularmente patrulhado por sua frota – é um vastíssimo círculo que abrange pouco mais de 40% do diâmetro da Via Láctea em torno de seu centro, mas exclui o turbulento núcleo central da galáxia, praticamente desabitado. Dentro desses limites, existem 5,4 bilhões de estrelas, 180 milhões de planetas com vida nativa e 53 milhões de espécies inteligentes, 38 milhões delas sob o domínio imperial.
O chamado espaço imperial está dividido em seis regiões militares. As cinco primeiras formam círculos concêntricos em torno de Trantor e a sexta forma um anel em torno do centro da Via Láctea.
· I região: 211 setores e 150.402 agrupamentos que contêm 37,6 quatrilhões de habitantes, quase a metade do total, mas apenas 3,0% do espaço ocupado pelo Império. É o núcleo original do Império.
· II região: 183 setores e 149.386 agrupamentos que contêm 18,9 quatrilhões de habitantes, 25% do total e 2,8% do espaço imperial.
· III região: 146 setores e 136.582 agrupamentos que contêm 8,7 quatrilhões de habitantes, 11,6% do total e 7,2% do espaço imperial.
· IV região: 136 setores e 136.582 agrupamentos que contêm 4,7 quatrilhões de habitantes, 6,3% do total e 10,8% do espaço imperial.
· V região: 147 setores e 181.377 agrupamentos que contêm 3,0 quatrilhões de habitantes, 3,9% do total e 13,9% do espaço imperial.
· VI região: mais uma zona de influência, da qual a frota trantoriana consegue manter suas rivais afastadas, do que realmente parte do Império, representa 62,3% do espaço imperial. Dos sistemas contidos nessa região, 23% estão sob controle efetivo de Trantor, formando 202 setores e 284.491 agrupamentos que contêm 2,3 quatrilhões de habitantes, 3,1% do total. Outros 33% pertencem a estados-clientes, com uma população total de 29,5 quatrilhões. Os restantes 44% são sistemas que o Império ainda não quis (ou não conseguiu) anexar ou mesmo explorar, nos quais a Solidariedade Galáctica estima que existam 15 milhões de civilizações e mais de 12 quatrilhões de seres inteligentes ou quase-inteligentes.
As forças armadas de Trantor
A frota imperial de Trantor é imensa, mas tecnologicamente inferior à da Solidariedade Galáctica. Como a sociedade trantoriana não é capaz de integrar inteligências artificiais poderosas, o grau de automatização de suas naves é inferior e sua operação depende de um número enorme de tripulantes, o que dificulta a coordenação. A corrupção generalizada também prejudica sua eficiência. Além disso, precisa se espalhar por uma área muito grande para prevenir invasões ou rebeliões, o que torna quase impossível concentrar todo o seu poder contra um só inimigo.
Para gozar de plenos direitos políticos e poder exercer cargos públicos, todo trantoriano precisa prestar dois anos de serviço militar e permanecer alistado como reservista, o que o sujeita a um número variável de dias de treinamento e serviço por ano. Estima-se a força de reservistas em 360 trilhões, 41 trilhões dos quais estão em serviço a cada momento. O núcleo das forças armadas, porém, é constituído por 61 trilhões de militares de carreira, distribuídos entre as seguintes forças:
· Estações de batalha móveis: 1.050, com 100 bilhões a 700 bilhões de toneladas cada uma, 150 quilômetros ou mais de diâmetro e 30 milhões a 200 milhões de tripulantes; totalizam 90 bilhões de tripulantes. Servem como quartéis-generais móveis para as frotas provinciais.
· Naves de comando de primeira classe: 64 mil, cada uma das quais tem cerca de 9 bilhões de toneladas, 18 quilômetros de comprimento e mais de 1,6 milhão de tripulantes; totalizam 100 bilhões de tripulantes. Servem como núcleos de grandes frotas de combate.
· Naves de comando de segunda classe: 1,1 milhão, cada uma das quais tem um a três bilhões de toneladas, 6 a 12 quilômetros de comprimento e 300 mil a um milhão de tripulantes; totalizam 600 bilhões de tripulantes. Servem como núcleo das frotas de um agrupamento.
· Naves capitais pesadas: 200 milhões, que podem ter de 50 milhões de toneladas a 900 milhões de toneladas, de 1,5 km a 8 km de comprimento e de 40 mil a 300 mil tripulantes. Transportam armamento pesado, caças estelares e forças de assalto em diversas combinações; costumam combinar funções que na Solidariedade Galáctica são desempenhadas por três tipos diferentes de naves: naves de batalha, naves-mãe e naves de assalto. Com um total de 8 trilhões de tripulantes, constituem a espinha dorsal da frota trantoriana.
· Naves capitais leves: 150 milhões, com cerca de 10 milhões de toneladas, 1 km de comprimento e 5 mil tripulantes cada uma, com um total de 750 bilhões. Complementam as naves capitais em missões de patrulha que não esperam forte oposição.
· Cruzadores: 1,2 bilhão, com 500 mil toneladas a 2 milhões de toneladas cada um, 300 metros a 900 metros de comprimento e cerca de 3 mil tripulantes cada um, num total de 3,6 trilhões. Destinam-se a missões de patrulha local.
· Fragatas: 8,4 bilhões, com 100 mil toneladas a 350 mil toneladas cada uma, 100 metros a 300 metros de comprimento e cerca de mil tripulantes cada uma, em um total de 8,4 trilhões. Destinam-se a missões de patrulha local.
· Naves de apoio: 4,8 bilhões, de vários tamanhos e funções, com um total de 12 trilhões de tripulantes.
· Bases estelares e estações espaciais operadas pela frota imperial: 18 trilhões de militares, 10 trilhões de reservistas e funcionários civis.
· Caças e bombardeiros estelares: 6,4 bilhões na frota imperial e 14,4 bilhões em guarnições planetárias, com um total de 31,2 bilhões de tripulantes. Tendem a ser menos especializados, mais vulneráveis e de menor tamanho que os equivalentes na Solidariedade Galáctica.
· Força de fuzileiros estelares: 7,5 trilhões de trantorianos, armados com 512 bilhões de veículos atmosféricos, terrestres e aquáticos, apoiados por 4 trilhões de reservistas e funcionários civis e acompanhados de 5 trilhões de inteligências artificiais escravas.
· Guarnições planetárias e quartéis-generais: 1,5 trilhão de trantorianos, armados com 152 bilhões de veículos atmosféricos, terrestres e aquáticos, acompanhados de mais de dois trilhões de inteligências artificiais escravas e apoiados por 60 trilhões de milicianos, reservistas e funcionários civis.
O orçamento das forças armadas equivale a aproximadamente 216 quintilhões de cômputos. O soldo líqüido de um soldado raso recém-admitido é da ordem de 15.000 créditos mensais; um sargento experiente ou um jovem oficial recebe em torno de 50.000 por mês.
As forças de combate
As forças armadas de Trantor são fortemente hierarquizadas e submetidas a uma disciplina rígida. A hierarquia militar conta com nada menos que 50 graus. O conjunto das forças está dividido em seis regiões militares que se subdividem em 1.024 comandos provinciais e 1.048.576 comandos de agrupamentos.
Cada agrupamento possui um centro de comando estratégico fixo no planeta que lhe serve de capital e uma nave de comando de segunda classe. Está dividido em três armas autônomas: a Armada, os Fuzileiros e as Guarnições. O alto comando é formado pelo conselho de almirantes de frota, comandado por um alto-almirante.
A Armada de um comando de agrupamento inclui aproximadamente 40 frotas, que contêm um total de 180 forças-tarefas, 800 esquadrões, cerca de 14.000 naves interestelares, mais de 6.000 caças e bombardeiros estelares e 50 milhões de homens e mulheres em armas.
Os Fuzileiros incluem 40 exércitos, subdivididos em 160 corpos, 640 divisões, 2.560 regimentos, 10.240 batalhões, 40.960 companhias, 163.840 pelotões e 655.360 esquadras, com um total de 7,2 milhões de homens e 488 mil veículos atmosféricos, terrestres e aquáticos.
A estrutura das Guarnições varia conforme o tamanho, a população e o tipo de problemas que se espera encontrar em cada região. Em média, cada agrupamento tem cerca de 90 quartéis-generais, dos quais depende um total de 2 mil batalhões, 8 mil companhias, 32 mil pelotões e 128 mil esquadras, com um total de 1,4 milhão de homens, 145 mil veículos atmosféricos, terrestres e aquáticos e 14 mil caças e bombardeiros estelares.